Você já viu tomate nascer em árvore?

Você sabe de onde vem a truta?
18/03/2018

CONHECENDO O QUE SE COME

 Por: Maiara Moreira

Como a maioria dos jordanenses, cresci comendo tomate de árvore e é impossível falar desta fruta sem lembrar a infância.

Nas casas de minhas avós era normal avistar uma árvore no quintal com vários tomates bem diferentes dos que a minha mãe comprava no supermercado.

Ele era oval, tinha uma casca durinha e toda mesclada entre o verde, amarelo, vermelho e roxo. Sabíamos que eles estavam maduros quando se encontravam bem vermelhos. O partíamos ao meio e víamos sua polpa molinha, com pequenas sementes e a sua cor era tão forte que manchava nossas mãos.

Eu adorava comer aquilo com um arroz bem fresquinho.

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando comecei a trabalhar no Dona Chica Restaurante, percebi como os nossos clientes ficavam encantados em conhecer a fruta e os nossos queridos conterrâneos, saudosos e contentes em comê-la mais uma vez.

O nosso tomatinho de árvore, na verdade não é jordanense e muito menos brasileiro. Ele é uma fruta nativa dos Andes, era cultivado pelos incas em hortas acima de mil metros de altitude, antes da chegada dos europeus à América.

Atualmente é cultivado no Peru, Equador, Chile, Colômbia, Bolívia, Nova Zelândia, Portugal, África do Sul, Sri Lanka, Índia, Califórnia e se espalhou por diversas regiões subtropicais.

É conhecido também como tamarillo, tomate japonês, tomate inglês, tomate maracujá, na Bahia recebe o nome de “tomatão”, em Minas Gerais é conhecido como “sangue-de-boi” e mais ao norte do estado é conhecido como “vinagre”.

Seu nome científico é Ciphomandra betacea e pertence à grande família das Solanáceas, a mesma que os tomates comuns, berinjelas, batatas, pimentas malaguetas e pimentões. A família das Solanáceas recebem esse nome devido ao gênero Solanum L., do latim solari – consolar, aliviar  -, devido às propriedades narcóticas de algumas espécies do  gênero, incluindo os tomates.

Como o nome já diz, o tomate de árvore floresce em uma arvoreta com cerca de 3 a 5 metros de altura, tronco ereto, simples, lenhoso e que emite ramos laterais, as folhas são simples, verdes e ovais, suas flores são róseas ou brancas e emitem perfume, como são flores hermafroditas, podem se autopolinizar (transferir o pólen da antera para o estigma da flor), mas, ainda assim atraem abelhas e borboletas.

Foi por essas belas flores que o tomate de árvore começa a ser cultivado no Brasil, para ornamentar as casas, só depois se descobre o delicioso fruto e seus benefícios a saúde.

O tomate de árvore tem um formato ovóide, com casca fina, brilhante, lisa ou rajada, seu sumo é gelatinoso, bem mais firme que a polpa do tomate normal, com numerosas sementes duras e comestíveis. Os frutos mais vermelhos são mais doces e macios, já os amarelos são firmes, ácidos e azedos lembrando o maracujá. Consumimos apenas a polpa e as sementes, já que a casca é muito amarga.

O cultivo deste tomateiro ocorre em climas temperados e frios, em áreas com temperaturas entre 15 e 22 ° C, o que explica o fato dele se dar tão bem com o clima de Campos do Jordão, porém durante o inverno é preciso que se tenha um cuidado especial, pois, pode não resistir às geadas e aos ventos fortes. Sua vitalidade é de 8 a 12 anos, atingindo o pico de sua produção aos quatro. Estima-se que a produção de frutos por árvore é em torno de 15 á 25 Kg ao ano.

Procuramos a nutricionista Carmela Domine CRN3 44283  para saber mais sobre as propriedades nutricionais e benéficas desta fruta.

A Doutora explana que tomate de árvore, é considerado uma PANC, ou seja, uma Planta Alimentícia Não Convencional por conta de sua baixa popularidade, porém é muito nutritivo e saboroso.

É uma fruta rica em vitaminas, recheada de Vitaminas do complexo B que tem efeito benéfico na memória, vitamina A que contribui com a saúde visual, é antioxidante, prevenindo o envelhecimento precoce.  Conta com os minerais cálcio, ferro, fósforo, potássio e magnesio, fundamentais para a boa formação de nossas células, cabelos, unhas e funcionamento do metabolismo. Também possui alto teor de fibras e componentes fitoesterois e antocianinas que são pigmentos do tomate que regulam o colesterol no sangue caso o consumo da fruta seja frequente e associada a uma alimentação saudável.

 

A fruta e as folhas do tomate de árvore em forma de cataplasmas quentes podem tratar a inflamação das amígdalas e outras condições da garganta. É uma fruta com excelente sabor, acidez, com leve efeito laxativo, o que significa que contribui com o funcionamento do seu intestino.

Na culinária o tomate de árvore é um alimento muito versátil, com seu sabor agridoce vai bem com saladas, doces e pratos quentes.

Hoje iremos ensinar para vocês a receita do delicioso Cheesecake com Geléia de Tomate de Árvore, um dos sucessos gastronômicos do Dona Chica.

Cheesecake com geléia de tomate de arvore

Massa
– 180 g biscoito maisena

– 70g de manteiga

–  Sal

Recheio

– 500g de cream cheese

– 180g de açúcar refinado

– 200g de creme de leite

– 3g de essência de baunilha

Geléia

– 200g de açúcar

– 500g de tomate de arvore*

 MODO DE PREPARO
Geléia

– Lave os tomates de arvore e retire apenas as polpas

– Leve ao fogo junto com o açúcar e reduza em fogo baixo até obter ponto de geléia

– Leve a refrigeração

Massa
– Processe todos os ingredientes com uma pitada de sal.
– Coloque em uma forma de fundo falso

Leve a geladeira

Recheio
– Bata os ingredientes acrescentando um de cada vez até obter uma massa homogênea

Cheesecake

– Coloque o recheio na massa que descansava na geladeira

– Coloque o recheio

– Faça uma cobertura com geleia de tomate de arvore

– Decore com uma flor de caputinha

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