Você já comeu Juá de Capote?

Você já viu tomate nascer em árvore?
09/04/2018

   

Por Maiara Moreira

Campos do Jordão possuí preciosidades que muitas vezes passam despercebidas, como por exemplo, o juá de capote. Uma frutinha amarela embrulhada em sua própria folha, que parece um balãozinho, a qual pode ser colhida nos barrancos dos bairros, nas hortas das avós e que aparecem do nada em nossos quintais.

Em Campos é comum, principalmente durante as férias, ver as crianças brincando pelas ruas, nos terrenos vazios e durante os intervalos das peripécias, se reunirem para atacar o pé de juá. Ensinavam que aquela frutinha era também comida de sapo, por isso tínhamos receio de comê-la, mas após experimentá-la e sentir como era saborosa, virou o lanche favorito, aquele que podíamos comer na rua, sem precisar ir para casa e correr o risco de ser impedido de voltar a brincar.

O juá de capote, conhecido também como bucho-de-rã, juá-roca, juá-poca, physalis, balãozinho, juá liso de moita, mata fome e camapu ( Acamapú vem do tupi guarani e significa: “fruto com capa ou cobertura que estala” e de fato a capinha que envolve o juá, estala quando apertada), é uma fruta 100% latino-americana, tendo origem na Amazônia e na Cordilheira dos Andes, integra a família das Solanáceas, a mesma do tomate, batata, pimenta, jiló e berinjela. Pode ser plantada facilmente, mas boa parte de seu plantio é realizado pela dispersão de suas sementes por meio dos animais, como aves e roedores. Tem um sabor agridoce e é uma planta bem rústica, florescendo nos lugares mais inusitados, não necessitando de muitos cuidados.

Uma planta bianual, que nasce em arbustos de caule ereto e ramificado (que pode atingir até 2,5 metros de altura), com folhas grandes triangulares, extremamente adaptável as condições climáticas, apreciando luminosidade e não o sol direto. Frutifica em 120 dias depois do plantio, dando frutos por seis ou oito meses e cada pé chega a produz até três quilos de frutas.

A Colômbia é a principal produtora mundial, chamando o fruto de uchuva, abastece todo o mercado europeu, principalmente a Alemanha e Países Baixos. Em Portugal é conhecido por alquequenge, nos Açores por capucha, no Equador como uvilla e no Japão como hosuki.

Sendo uma fruta muito bela, é usada pelos chefs gourmets na ornamentação de pratos. No Brasil é consumida em compotas, geleias, conservas, in natura, sucos, sorvetes, licores, como tira-gosto na degustação de vinhos e etc. Nos países europeus e nos asiáticos, o juá surge em receitas, como a britânica gooseberry fool, um creme que combina a fruta com chantilly. A refrescante sobremesa é feita com o juá esverdeado (ainda não maduro), apelidado de limão do norte. Pouca gente sabe, mas o tomatillo, produto de destaque na culinária mexicana, é na verdade um juá cultivado e consumido desde os tempos dos astecas e indispensável no preparo da típica salsa verde.

A cada 100 gramas da fruta contém apenas 50 calorias, dispõe de fibras que regulam o funcionamento do intestino e diminuem o apetite, dando a sensação de saciedade, auxiliando, assim, no processo de emagrecimento. Purifica o sangue, alivia dores de garganta, ajuda a baixar o colesterol, evita a formação dos radicais livres no organismo, protegendo-o de doenças, auxilia no fortalecimento do sistema imunológico e na prevenção do envelhecimento precoce.  Rico em ácidos orgânicos (cítrico e málico), caroteno, alcalóides, saponinas, alto teor de vitaminas A, C, fósforo e ferro, além de flavonóides, alcalóides e fitoesteróides, e alguns recém descobertos pela ciência.

Em 2013 membros do Grupo de Pesquisas Bioprospecção de Moléculas Ativas da Flora Amazônica da Universidade Federal do Pará, descobriram que uma das substâncias existentes no talo do juá, tem a potencialidade de estimular a produção de novos neurônios no hipocampo – o hipocampo é a área do nosso cérebro que está ligada à memória – e buscam desenvolver medicamentos fitoterápicos que possam ser aplicados aos seres humanos para a recuperação dos neurônios e, portanto, cura de doenças neuro-degenerativas como o Alzheimer, o Parkinson e diversas outras. Esta pesquisa também aponta a possibilidade de que estes medicamentos possam ser usados para os que sofrem de depressão grave, onde há perda neuronal.  Mas, aparentemente a substância do talo do juá é muito complexa e os pesquisadores estão tendo dificuldades na sua sintetização.

Outra descoberta publicada no European Journal of Pharmacology, foi da Fundação Oswaldo Cruz do Ceará. Uma substância do juá chamada “physalina”, que atua no sistema imunológico humano, provando ser 30 vezes mais potente do que os anti-inflamatórios já conhecidos, podendo evitar a rejeição de órgãos transplantados. A Fundação e seus cientistas estão requerendo a patente da descoberta.

Saboroso, magnifico para a saúde e uma das frutas típicas da nossa região, o juá não poderia ficar de fora do cardápio Dona Chica, por isso escolhemos com carinho os melhores frutos para compor os pratos.

 

Nossos juás são cultivados em uma pequena fazenda de produção própria em uma cidade vizinha chamada Santo Antônio do Pinhal, pela agricultora familiar Carolina Moraes. Atualmente Carolina planta além do juá, amora, framboesa, mirtilo e tomate de árvore. É possível, mediante contato prévio, ir até a fazenda na época da colheita tirar as frutas do pé.

O juá vem direto do campo para as nossas sobremesas e agora também em um delicioso coquetel: O João do Capote, de sabor único e refrescante, elaborado pelo professor especialista em bebidas do Senac de Campos do Jordão, Fernando Oliveira.

 

 

RECEITA DE COQUETEL – JOÃO DO CAPOTE

Ingredientes

– 30 ml de calda de capim santo

– 100g de juá cortado ao meio

– 2 1/2 dose de hidromel

– Gelo

Modo de preparo 

– Macere o juá com a calda de capim santo direto no copo

– Complete o copo com gelo

– Coloque as 2 ½ de hidromel e mexa com uma bailarina

– Decore com uma juá e use canudo (preferencialmente de papel ou macarrão)

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